Afinal, Quem é Brahman?

O Teísmo Védico Vaishinava afirma que, embora Brahman a Jivãtma(1) seja espírito, quantitativamente ela é eternamente não idêntica a Brahman(3) (Parabrahman-Deus).

Chandobhih, a enciclopédia dos textos védicos compilada originalmente no idioma sânscrito, que foi adulterada no período do domínio Asoka na Índia, mas que foi reconstituída com os achados arqueológicos do sábio Sir Caetânia Mahaprabhu entre 1486 – 1534, usa a palavra Brahman para definir simultaneamente:

(1) A alma individual;
(2) O aspecto impessoal e onipenetrante do Supremo;
(3) A Suprema Personalidade de Deus; e finalmente,
(4) O Mãhatattwa, ou seja, a soma total da energia material.

De acordo com a literatura védica vaishinava, qualitativamente toda alma espiritual ou Jivãtma, (1) Brahman é igual a Parabrahman, (3) Brahman – Deus.

O filósofo Sankarãcharya (788- 820 dc/Índia), sem levar em conta a métrica vedanta (diferencial quantitativo), equiparou, em todos os aspectos, (1) Brahman-Jiva (alma) a Parabrahman (3) Brahman-Deus. Para construir a sua filosofia, Monista-Sãriraka-bhãsya, Sankarãcharya mudou aleatoriamente os prefixos e os sufixos dos códigos originais do Vedanta-Sutra, compilados por Vyãsadeva (oito mil anos antes da era cristã). Ele interpretou que Aham (Eu) do Bhagavad-Gita refere-se a (2) Brahman Impessoal. Porém, Vyãsadeva explica que Aham refere-se diretamente a Parabrahman (3) Brahman Supremo/Brahman-Deus (Edição Sri Caitanya Carytámrta – ISKON).

Srila Prabhupada, o tradutor do Bagavad-Gita original de Vyãsadeva para a língua inglesa, declara:
“Daivini Prakrtim significa a energia Superior, a energia Divina. Esta energia material temporária também é indiretamente Brahman-energia Divina. Na verdade, tudo o que existe é Divino, porque tudo provém do Parabrahman-Deus, os cientistas materialistas e os filósofos impersonalistas dizem que tudo é energia (2) Brahman, e isto é verdade. Tudo é Brahman – más nem tudo é a mesma coisa”.

Sankarãcharya afirma que todas as existências são produtos da ilusão e são falsas, já que a única verdade é o (2) Brahman Impessoal. Ele conclui que o corpo material confunde-se com a entidade viva (1) Brahman-Jiva/alma espiritual. Portanto, ele define a liberação da Jiva dos ditames da natureza material (Moksa) em termos da Jiva/alma (1) Brahman abandonar seu sentido ilusório de individualidade e, subsequentemente, fundir-se no (2) Brahman Supremo impessoal.

Sir Caetânea Mahaprabhu, o fundador da Escola Vaishinava, considerado pela maioria dos acadêmicos transcendentalistas como o Avatar da Idade Dourada (10.000 anos de idade dourada aberta dentro da atual Era da Kaliuga, a partir do ano de 1.500dc), promovendo uma superação crítica do sistema de Sankarãcharya. Ele afirmou que:

“A teoria da ilusão da Escola Mãyãvãda (escola que influenciou o filosofo espanhol naturalizado francês Papus) é definida baseando-se no fato de que a teoria da emanação causaria uma transformação da Verdade Absoluta. Se é este o caso, Vyãsadeva teria se equivocado. Sancarãcharya habilmente formulou a sua Teoria da Ilusão como sendo uma crítica ao Sistema de Vyãsadeva.

Entretanto, o Mundo ou a Criação Cósmica não é falso, como a Escola Mãyãvãda sustenta. Ele simplesmente não tem Existência Permanente. Algo não-permanente não pode ser considerado falso, entretanto, a concepção de Sankarãcharya de que o corpo material é o Eu, certamente é errônea.

Pranavana (OM) ou Omkãra nos Vedas, é o Hino Primordial. Este som transcendental é idêntico à forma do Parabrahman Supremo Deus, todos os hinos védicos baseiam-se neste Pranavana Omkãra. Tattavmasi nada mais é que uma palavra secundária nas literaturas védicas. Sripãda Sankarãcharya deu mais ênfase à palavra secundária tattvamasi do que ao Princípio Primordial Omkãra”.

Ainda de acordo com Vyasadeva, Bráhma não é Parabrahman.

Identificamos que, na leitura correta da esquerda para direita, na escrita sânscrita, a triologia Bráhma-Shiwa-Visno, corresponde à forma Visno-Shiwa-Bráhma. A trindade cabalística 1-2-3 corresponde à sequência aparentemente contraditória:

3=1(três corresponde a 1);
2=2(dois corresponde a 2); e
1=3( 1 corresponde a 3).

Na tradição Vaishinava Védica, Sir Visno é uma expansão plenária de Parabrahman a Suprema Personalidade de Deus. Logo, Visno é (3) Parabrahman – o Pai de Bráhma e Shiwa. Bráhma não é uma expansão plenária ou uma expansão limitada de Visno. Bráhma é Jivátma, como todas as almas, SAC-CID-ÁNANDA-VIGRAHAH (pronúncia sati-dananda-vigrará), ou seja, cheia de eternidade e Bem Aventurança.

Seguindo a leitura Sânscrita da esquerda para a direita, Shiwa ocupa o mesmo segundo lugar, enquanto Bráhma ocupa a terceira posição. O fato da potência energética de Shiwa chegar a 86% da potência energética de Sir Visno explica porque o mesmo se fixa sempre em segundo lugar.

Qualitativamente, Bráhma, Shiwa e Visno são semelhantes. Quantitativamente, Sir Visno, sendo uma expansão plenária de Brahman/Parabrahman-Deus, é sempre superior a Bráhma e a Shiwa.

Dentro do Mundo material onde vivemos, Bráhma é a pessoa mais velha, logo ele é considerado o Pai, ou a pessoa responsável pela criação dos elementos materiais disponíveis. Bráhma não é Deus, mas o semideus mortal criador do céu material, da Terra e da nano tecnologia também disponível a semideuses e a seres humanos. A matemática é uma das expressões da mente do Semideus Bráhma. A natureza material é uma estrutura matemática. Não há dúvidas de que a ciência dos homens é uma extensão da ciência dos Semideuses. Não há dúvidas de que nós os humanos somos um produto da tecnologia material de Bráhma onde a alma temporariamente habita.

Por definição, Vyasadeva explica que toda a Jivátma pode atingir até 86% da energia potencial de Visno. Sendo que entre os semideuses, a partir de Bráhma, Shiwa é o único que consegue atingir este nível, movido pelo modo da misericórdia pelas outras entidades vivas materialmente corporificadas dentro do Brahmananda.

A matéria comum que representa os 4% do Universo de Bráhma (Brahmananda) é formada a partir de núcleos de prótons e elétrons periféricos, responsáveis pela bagagem dos elementos Hidrogênio, Carbono e Ferro que caracterizam a Era da Kaliuga.

Dos jornalistas Wagner Villa Sresthas (José Araújo Wagner)
e Hilda Rádhá Govinda (Hilda Cipriano De Acácio)
wagnerhilda@gmail.com

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