Colchão duro ou macio?

Dr. Sérgio Zylbersztejn responde esta e outras dúvidas que podem tirar o seu sono.

Nesta edição, tivemos a honra de contar com o conhecimento do Dr. Zylbersztejn, que aceitou responder algumas dúvidas frequentes de nossos leitores relacionadas à ortopedia e colchões. As respostas você pode conferir.

Leitores: Colchão duro ou macio, molas ou espuma. Como não errar na escolha?

Dr. Sérgio: A coluna apresenta os discos intervertebrais que apresentam muito líquido na sua constituição. Após um dia de atividade eles se desidratam passando a não cumprir o seu papel de absorvedor de pressões sobre a coluna. Para reverter essa situação necessitamos de um repouso prolongado na posição horizontal. Se o colchão for mole ou rígido poderemos estar mal posicionados e acordarmos com dores musculares. Isso ocorre porque a musculatura ficou o tempo todo trabalhando para proporcionar uma postura normal da coluna. Se o colchão for duro teremos dores nas saliências ósseas e se for mole iremos afundar nele. No caso de um colchão rígido poderemos apresentar dores nos quadris, joelhos, tornozelos e cotovelos. Logo, a opção de um colchão está diretamente relacionada com o peso e a sensibilidade do paciente à superfície do colchão. A escolha é sua. Hoje em dia, já existem colchões que possuem uma tecnologia apurada e estão sob supervisão dos órgãos públicos para manter a qualidade do produto. A resposta para qual o colchão adequado ao nosso corpo está na escolha do que tenha a consistência certa ao seu peso corporal.

Leitores: Tenho um colchão de espuma a mais de 5 anos. Minha esposa quer trocar, pois acorda com dores, mas para mim está perfeito. Como saber se as dores que ela sente são mesmo causadas pelo colchão?

Dr. Sérgio: A vida útil de um colchão é em torno de 3 a 5 anos. Na realidade, o que faz um colchão ser durável é que além de sua composição devemos cuidar bem dele, usar capas protetoras, trocar de lado, expor a ventilação para eliminar ou diminuir a quantidade de ácaros e, em especial, evitar que as crianças pulem sobre ele. O tempo de uso está relacionado com a manutenção. Quando um dos cônjuges acorda com dor é porque deve estar dormindo mal ou estão surgindo dores de natureza degenerativa. Para saber se o problema está no colchão, indico dormir em outro quarto e com um colchão com pouco uso e firme, adequado ao seu peso. Se ocorrer de acordar bem, então sugiro trocar o colchão antes que o cônjuge sem problemas ao acordar passe a reclamar de desconforto.

Leitores: Existem exercícios capazes de, efetivamente, curar ou amenizar a lordose e os problemas oriundos dela?

Dr. Sérgio: A presença da lordose faz parte do equilíbrio biomecânico da coluna. Se ocorrer uma retificação, diminuição ou até mesmo um exagero, as forças sobre a coluna vertebral se distribuirão de modo errado e isso provocará dor na coluna vertebral. Algumas posturas estão relacionadas com a genética da pessoa. Todas as articulações de nosso corpo necessitam de uma musculatura agonista e outra antagonista. A explicação é que quando um músculo puxa para um lado existe um outro contrabalançando essa ação. Indico realizar reforço de músculos abdominais e paravertebrais acrescentado de alongamentos da musculatura isquiotibiais e dos retos abdominais. O fato de alongar-se faz parte de nosso modo de vida e provoca um bem estar articular e muscular.

Leitores: Eu me viro muito durante a noite, não tenho uma posição fixa para dormir. Meu colchão é confortável, mas não consigo encontrar um travesseiro com a altura certa, acordo várias vezes com a sensação de que o travesseiro está alto ou baixo demais. Qual seu conselho?

Dr. Sérgio: O resultado de uma noite mal dormida será um cansaço e sono diurno com piora da atenção nas atividades da vida diária. Entretanto, se o problema for a postura ao dormir, indico que as posições corretas são de barriga para cima (decúbito dorsal) ou de lado em forma fetal (todo encolhido com flexão de joelhos e quadris). Com essas duas posturas já conseguiremos eliminar uma parte da noite mal dormida. O item travesseiro é importante e merece uma atenção. Sempre deverá ser baixo ao dormirmos de barriga para cima e flexível para que na posição fetal ocupe o espaço entre a orelha e o colchão. Esse espaço corresponde à altura do ombro. Escolha sempre travesseiros macios, naturais, antiácaros e que de preferência não causem alergia.

Dr. Sérgio Zylbersztejn é Ortopedista e Traumatologista,
Professor da disciplina de Ortopedia e Traumatologia da FFFCMPA
e Coordenador do Grupo de Coluna do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do CHSCPOA
sergiozy@terra.com.br

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