Mudanças

Muitas mudanças parecem barulhentas. Onde será o novo lugar? Precisará reformar? O que se deverá levar? O que ficará? O que se ganhará? O que se perderá? A obra nunca chega ao fim. O tempo de espera sempre se estende. E se gasta mais do que planejou. Móveis são arrastados para cá, pessoas gritam de lá... Muitas mudanças parecem barulhentas... Mas muitas destas começam silenciosas MudaDanças.

Mudança. Muda. Dança. Mudança que Dança. Dança no silêncio dos mínimos movimentos. Movimentos oculares. Olhos mudos mudam seu fitar. Olhos mudos que dançam: piscam e repiscam; espremem-se, arregalam-se e giram; dão zoom, focam e desfocam. Novas formas e cores são assimiladas, mudadas. Olhos mudos dançam novos rumos, imperceptíveis, piscares de olhos.

Mudança. Muda dança que dança. Muda a cabeça, que dança, curiosa e muda. Para esquerda, para direita, para baixo, para cima. Gira, integrando os contrários que dançam, Dança. Novas abstrações e concepções são formadas, mudadas. Cabeça e olhos mudos dançam novos pensamentos, embaralhados, quebra-cabeças.

Mudança. Que muda a dança. Tronco, quadris, joelhos menos mudos, mudam mais. Chacoalham o corpo que dança. Ampliam a dança dos olhos e cabeça menos mudos. Novas batidas e melodias são harmonizadas, mudadas. As partes do corpo dançam novos ritmos, compostas, partituras.

Mudança. Dança e Dança. Mãos e pés mudam de lugar o corpo que inteiramente, internamente, externamente, dança. Novas Direções. Novos Sentidos. Novas danças. MUDANÇA.

Fernanda Barros de Matos
Do livro “Danças do Cotidiano”

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