Pode existir uma consciência global?

Pesquisadores ao redor do mundo, coordenados pela Universidade Princeton, acreditam ter constatado um fenômeno incrível: a mente humana pode agir à distância sobre eventos aleatórios. A idéia alucinada surgiu de uma rede de 65 computadores espalhados pelo globo, que geram seqüências aleatórias de números desde 1998. Os pesquisadores afirmam que as seqüências podem ser levemente empurradas para algum padrão. Seria o mesmo que assistir a alguém jogar uma moeda repetidamente e, com a força do pensamento, aumentar as chances de cair coroa. O feito seria obtido pela força de vontade coordenada de um grupo de pessoas ou durante eventos que comovem grandes populações, como o tsunami na Ásia em 2004. Por isso, o nome “Projeto de Consciência Global”. Entendeu? Bem, os autores do estudo também não. Eles admitem que sua pesquisa está "na margem da compreensão humana".

O que é a mente?

A tentativa de entender o mundo esbarra, logo de saída, num obstáculo formidável: não sabemos como existe nem como funciona nossa principal ferramenta para lidar com o Universo - a mente. Graças a ela, dispomos de consciência, noção de individualidade e capacidades variadas, como aprender, avaliar, adorar, detestar e opinar. Até sabemos detectar os "sintomas" biológicos de um estado de espírito, como o amor e o prazer. Podemos também fazer o caminho inverso, ao fornecer estímulos químicos e detectar resultados comportamentais. Mas a ponte entre um lado e outro permanece um mistério. A mente é mais do que a atividade elétrica e química do cérebro. "Na cardiologia, por exemplo, pode-se partir de uma única célula, agregar as outras peças e chegar ao sistema completo", diz o psiquiatra Luiz Alberto Hetem, da Faculdade de Medicina da USP. "No cérebro, a coisa se perde em algum momento. Não há um contínuo que vá da célula até o sistema em funcionamento."

Por que não usamos toda a capacidade do cérebro?

Você já deve ter ouvido falar que o cérebro humano usa apenas 10% de sua capacidade. Apesar de baseada em conceitos verdadeiros, essa afirmação não passa de uma metáfora pobre. A verdade é que 100% da massa encefálica trabalha vigorosamente. O que não se explica é por que algumas pessoas com cérebro aparentemente comum têm habilidades como memória fotográfica ou eidética (capacidade de recordar grande quantidade de imagens e dados, como um atlas geográfico) e memória-calendário (capacidade de dizer em que dia da semana caiu ou cairá uma data a séculos de distância). Um dos primeiros exemplos bem documentados desse tipo de prodígio foi Thomas Bethune, ou Blind Tom ("Tom Cego") - um americano nascido em 1850, que além de cego era escravo e autista. Também era capaz de escutar 20 páginas de partitura uma só vez e tocá-las no piano. Aos 16 anos, Tom havia memorizado cerca de 7 mil músicas.

Como os animais pressentem coisas?

A quantidade surpreendentemente baixa de animais mortos no tsunami que varreu a Ásia no final de 2004 inspirou novas discussões sobre uma dúvida antiga: Como funcionam os sentidos dos bichos? Melhor que os nossos, certamente, já que as pessoas não foram capazes de prever nem de fugir da onda gigante. Quase sempre, é possível encontrar explicações razoáveis para cada espécie, sem recorrer a nenhum hipotético "sexto sentido". Bigodes de gatos, por exemplo, podem perceber ínfimos deslocamentos de ar ou um toque equivalente à milésima parte do peso de um fio de cabelo. Mesmo assim, os feitos dos animais obrigam os cientistas a atualizar freqüentemente o que sabem. Foi a partir dos anos 90 que se admitiu que o olfato dos cães chega a ser 1 milhão de vezes mais aguçado que o humano, embora a estrutura cerebral responsável por esse sentido seja "apenas" 40 vezes maior que a nossa.

Como funciona o efeito placebo?

O efeito placebo é conhecido há muito tempo, e respeitado a ponto de ser incluído em testes clínicos, para comparação com os efeitos dos medicamentos reais. Sabemos que ele se relaciona com a expectativa do paciente: o organismo, ao receber algo que a mente acredita ser remédio, é "convencido" a reagir de acordo. O mecanismo, ainda inexplicável, vem sendo estudado pelo médico Fabrizio Benedetti, da Universidade de Turim, Itália. No ano passado, ele monitorou a atividade cerebral de pacientes com mal de Parkinson, enquanto dava a eles uma solução salina inócua, que acreditavam ser remédio. Essa crença bastou para que os cérebros dos pacientes reagissem, reduzindo sintomas da doença, como tremores e rigidez. No sentido oposto, pacientes que eram tratados com remédio verdadeiro, mas sem o saber, continuavam manifestando os sintomas.

Que força desconhecida empurrou as sondas pioneer?

A história da sonda Pioneer 10 já seria empolgante, mesmo que tudo tivesse ocorrido como previsto: a nave foi lançada em 1972 e tornou-se o primeiro objeto criado pelo homem a sair do sistema solar, em 1983. Manteve contato com a Terra durante 25 anos, até perder-se no espaço profundo, em 1997. A Pioneer 10 deixou um enigma: algum fator desconhecido começou a reduzir sua velocidade e empurrá-la de volta para o Sol, quando ela estava se aproximando de Plutão. A "força" desconhecida era ínfima, mas, dadas às distâncias espaciais, bastou para alterar a rota da nave em 400 mil km. O mesmo ocorreu com a Pioneer 11. Tentaram-se explicar a anomalia com idéias prosaicas, como vazamentos de fluido nas naves ou problemas na análise de dados. Outras propostas, no campo da chamada "nova física", foram bem mais ousadas, lembrando que talvez devamos mudar nossas concepções de tempo, espaço e gravidade em escalas cósmicas. Mas nenhuma explicação foi conclusiva.

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