Quando o Natal se aproxima é comum os laços familiares se estreitarem, o sentido de fraternidade aflorar, o Cristo ser adorado, a recém-chegada Luz do Sol no solstício de verão alegrar a todos, crescer a esperança de um ano melhor...
Neste artigo vamos abordar um dos símbolos mais belos e místicos do Natal: O Presépio.
O Presépio foi inventado por um grande sábio e revolucionário chamado São Francisco de Assis, que viveu na Itália no século XIII.
Do ponto-de-vista histórico, o contexto em que o Presépio foi criado marca a necessidade das instituições religiosas se aproximarem do povo pobre, numa época de pompa e de acumulação de riquezas pelo poder religioso. E nada mais didático e marcante, para aqueles que mal tinham o que comer ou com o que se instruir, do que a viva representação, através de estátuas, do Natalício do Salvador em meio a um pobre estábulo na Galiléia.
Religiosamente, o Presépio marca as precárias condições em que Jesus veio à Terra, quando seus pais estavam fugindo das perseguições do Rei Herodes. Ao mesmo tempo em que nasce num simplório estábulo, o Rei dos Reis vem ao mundo coberto de Amor e de adorações.
Mas no Presépio há também uma vasta simbologia iniciática, que mostra o trabalho necessário ao desenvolvimento espiritual através do auto-conhecimento e da auto-transformação.
A fuga de José com Maria grávida, tentando escapar da ira de Herodes, representa as dificuldades impostas ao Cristo pela ambição, pelos ciúmes e pela violência – que têm origem no poder cego material.
As próprias figuras de José e de Maria denotam nossos sempre presentes Pai Interno e Mãe Divina, expressões maravilhosas de nosso Real Ser Interior Profundo, polaridades masculina e feminina de nossa Alma-Espírito.
A Estrela-Guia, que acompanhou toda a viagem do Casal Sagrado, simboliza a Verdade e a Luz que devem guiar todo verdadeiro aspirante à iniciação do espírito.
O paupérrimo Estábulo representa a humildade, a simplicidade e a discrição que cercam o nascimento de todo verdadeiro Mestre do Espírito como Jesus. Nenhum Avatar (mensageiro divino) nasceu cercado de riquezas e pompas materiais: vieram ao mundo pobres e em rios isolados, embaixo de árvores, em cavernas inóspitas, em estábulos...
Os Animais que acompanham o Cristo no Presépio informam sobre a necessidade de se Aniquilar o Ego (como se fala no Budismo e na Psicologia Gnóstica). No presépio, os animalescos defeitos humanos são representados pela vaca, pelo cavalo, pelo carneiro...
Os Anjos, que às miríades vêm glorificar ao Senhor Nascituro, representam as Festas Celestes que ocorrem quando nasce mais um Filho da Chama, mediante seus próprios esforços conscientes e padecimentos voluntários.
E os Reis Magos vêm relembrar que todos os poderosos deste mundo devem se curvar e reconhecer o Cristo, a ele oferecendo o que há de mais sagrado: o Ouro (transmutação do que era vil no que há de mais nobre), o Incenso (necessidade de se dominar a mente e de não se enredar nas armadilhas do mero intelectualismo) e a Mirra (ungüento sagrado do Salvador que tudo cura).
Portanto, da próxima vez que contemplarmos um Presépio de Natal, recordemos que ele foi criado por um gênio da espiritualidade – São Francisco de Assis - e façamos consciência que aquele nascimento, ao mesmo tempo humilde e excelso, dever também ocorrer dentro de cada um de nós.
Sintetizou o sábio gnóstico Samael Aun Weor: de nada vale o Cristo ter nascido em Belém se não nascer também em nossos corações.
A Associação Gnóstica de Brasília deseja a todos um Natal pleno de Consciência e de adoração ao Cristo que habita em cada coração humano !
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