O povo nórdico tem grande representatividade quando se trata do legado de grandes conhecimentos deixados para a humanidade no que se refere aos movimentos celestes, emanações telúricas e sabedoria sobre a natureza em geral.
Suas contribuições a respeito de astronomia e astrologia, que em épocas remotas se fundiam numa só ciência, são de valor inestimável. Compêndios e mais compêndios poderiam ter sido escritos sobre arte, religião e ciência pelos habitantes do extremo hemisfério norte e, no entanto eles preferiram perenizar suas idéias, metodologia de vida e observação dos fenômenos naturais através da música, danças, jogos e costumes, uma forma mais simples e direta de transmitir informações entre as gerações subseqüentes, maneira, sobretudo inteligente de preservar tradições.
O dia 24 para 25 de dezembro é o solstício de inverno, momento em que o nosso planeta Terra encontra-se a maior distância de sua órbita elíptica ao redor do Sol, e que para os povos setentrionais é o dia mais escuro e frio do ano.
Em países como Islândia, norte da Suécia e Finlândia, nesses dias, o Sol aparece por apenas dois minutos. Imaginemos o que devia ser para os antigos povos que habitavam estas regiões, viver em um lugar onde durante meses o frio intenso castigava, os alimentos faltavam e uma escuridão quase constante tomava conta de tudo na paisagem branca da neve por toda parte. A única árvore que sobrevivia verde nesses lugares era o pinheiro, que mesmo coberto pela neve, com temperaturas baixíssimas e sem a luz do Sol permanecia verde. Então, os antigos povos que habitavam esses lugares criaram a festa do Solstício de Inverno, onde se comemorava a capacidade que todo ser humano tem de, mesmo diante das maiores adversidades, manter-se de pé e “verde” (a fé constante). Por isso eles cortavam os pinheiros e os levavam para dentro de casa, para lembrá-los que, apesar de toda dificuldade enfrentada naquela época, eles podiam continuar firmes e fortes, e superariam não só as dificuldades próprias do inverno como também a qualquer outro transtorno que surgisse em suas vidas. As velas colocadas nos pinheiros de natal simbolizavam (e simbolizam até hoje em dia) a luz do Espírito Divino que habita em todo coração humano e que jamais se apaga, mesmo diante dos maiores insabores.
Assim, por ocasião do advento do Cristianismo, houve uma união desta Festa do Solstício de Inverno com a comemoração do nascimento do Menino Jesus. Pois Ele é aquele que veio trazer a Luz Divina para dentro de nossos corações. Este sincretismo religioso que perdura até os tempos atuais originou em nossa cultura a confecção dos Presépios adornados por pinheiros nevados assim como as árvores natalinas enfeitadas com velas e bolas reluzentes também cobertas de neve, tudo para cultuar a entrada na vida terrena do Menino Deus.
Momentos de profunda reflexão são requeridos nesta ocasião que é ao mesmo tempo festiva e comemorativa uma vez que dá-se graças ao alimento que sustenta a vida tanto quanto sagra-se o alimento espiritual que nos mantém vivos, ambos representando o pão da vida.
Devido à proximidade do fim de um ano vivido e o inicio de um novo período igual ao primeiro, mas diverso em termos de esperança e renovação requer-se também minuciosa análise de tudo o que se passou, instantes de tristes amarguras, mas também de esfuziantes alegrias, uma espécie de inventário da existência passada a fim de nortear o futuro, fazer projetos, planejar novas aventuras, viver novos sonhos e concretizar tudo aquilo que viemos para realizar neste mundo.
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