Todos sonhamos, em média, quatro vezes por noite; nem sempre lembramos de nossos sonhos, mas eles representam a nossa mais importante "janela" para o inconsciente e é lá que estão nossas frustrações e traumas que impedem o livre acesso ao grande potencial de nossa mente.
Ainda hoje, mesmo após cento e dez anos do lançamento do livro de Freud sobre a interpretação dos sonhos, para a maioria eles ainda representam um grande enigma, mas poderiam ser uma ferramenta decisiva para entender nosso inconsciente e a importância de entendê-lo e interagir com essa parte de nossa mente, será determinante para um salto quântico em nossa evolução, haja vista que as instituições, da forma que estão organizadas, não respondem mais aos anseios sociais, em nenhum dos quesitos básicos à qualidade de vida.
Existem sonhos famosos que, segundo a história, mudaram o rumo de vidas e até de comunidades, como o sonho do Faraó, sonho este interpretado por José do Egito que versava sobre sete vacas magras que devoravam sete vacas gordas e sete espigas magras que devoravam sete espigas. Essa interpretação valeu a José a saída da prisão e o cargo de primeiro ministro. A história conta vários sonhos importantes como aqueles que guiaram as grandes descobertas.
Todos nós, com certeza, temos estórias importantes sobre nossos sonhos. Entretanto, poucos de nós sabemos trabalhar com eles. Para que isso seja possível, é necessário entendermos o mínimo de sua estrutura, funcionamento e propósito. Os sonhos ocorrem em estados alterados da consciência de vigília, especificamente a baixa da amperagem elétrica em relação ao que ocorre quando estamos despertos. Por esse motivo, os estágios de sono são marcados por ondas eletromagnéticas que podem ser medidas pelos conhecidos eletroencefalogramos. No estado de vigília, estão conectados quatro princípios ou veículos que definem nossa personalidade e representatividade, que são: o físico, o vital (que corresponde à aura e pode ser identificado pelas fotos kirlian), o emocional ou astral (que corresponde ao veículo das manifestações mediúnicas, como psicografia e psicofonia) e o mental concreto (que se refere a nossa parte cognitiva). As atividades do sono são hoje estudadas mapeando as atividades cerebrais noturnas durante o sono (polissonografia), com o objetivo de identificar períodos de mais de dez segundos, quando a respiração é interrompida e a pessoa sofre de apnéia do sono, distúrbio que prejudica a qualidade de vida durante o dia, produzindo sonolência diurna e afetando a memória.
Durante o período de sono, ficam na cama o corpo físico e o vital, que não se separam, o que acarretaria a morte. Os outros dois corpos, emocional e mental concreto, que formam a personalidade, ficam livres por causa do estado elétrico de baixa amperagem em que o cérebro, durante o sono, funciona, e, sem as limitações das dimensões tempo e espaço, produzem os sonhos que, em grande parte, são manifestações do mundo inconsciente.
É importante saber que a memória do inconsciente, que é utilizada na linguagem dos sonhos, é uma memória muito antiga, caracterizada por símbolos, diferente de nossa memória de vigília, que arquiva conceitos. Por esse motivo, a linguagem onírica nos parece tão absurda. Por não compreendê-los, nossa reação mais racional é desprezá-los.
Explicado, ainda que muito superficialmente, a questão elétrica da manifestação dos sonhos e do porquê de sua ocorrência durante o sono, embora os estados de relaxamento e hipnose também produzem experiências análogas aos mesmos, uma ligeira compreensão dos tipos de sonhos é o primeiro passo para interpretá-los e, assim, nos beneficiarmos de suas orientações.
Os tipos mais comuns de sonhos são os que chamamos fisiológicos e sua função é simplesmente proteger o sono, visto ser este fundamental para liberação dos neurotransmissores pelas glândulas endócrinas, responsáveis pelo nosso equilíbrio homeostático (freqüência cardíaca, respiração, pressão arterial, centro da fome e da sede, ritmo sináptico etc.) Este tipo de sonho satisfaz necessidades fisiológicas e evita que as preocupações nos acordem, se apesar delas conseguimos dormir. Por exemplo: se dormimos com sede e essa necessidade pode nos acordar, sonhamos que estamos bebendo água. Evidentemente, não atendemos a necessidade física da sede e, assim que acordamos, iremos tomar água. O mesmo ocorre em relação às questões que nos preocupam.
O segundo tipo mais comum dos sonhos são os que chamamos sonhos compensatórios, que são aqueles que corrigem um autoconceito pobre que temos a nosso respeito, relativo a pessoas que convivemos ou a situações pontuais em que acreditamos não ter tido um bom desempenho. Nesse caso, nossos sonhos poderão distorcer absurdamente pessoas a quem admiramos tanto, que nossa idolatria nos faz sentir impotente. Nesse caso, o nosso inconsciente nos dá um sonho diminuindo aquela pessoa.
O terceiro tipo de sonhos talvez seja os mais importante a essa altura de nosso desenvolvimento, pois se referem às questões relacionadas ao nosso drama psíquico inconsciente. Eles se mostram muitas vezes repetitivos, o que demonstram que não os entendemos e, por isso, não fizemos as devidas correções em nossas vidas.
Não tendo mais espaço para discorrer sobre eles como merecem, proponho-me a fazê-lo no próximo número e concluir com os chamados GRANDES SONHOS, que às vezes temos apenas um ou dois durante toda a nossa vida.
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