Nunca se ouviu falar tanto de intolerância alimentar como hoje. Todos os dias alguém se queixa dos desconfortos decorrentes desse problema. Sendo uma pessoa que também sofre com isso, fico pensando no que pode estar causando tanta reação alérgica (pois, afinal, é disso que se trata) em nosso organismo em relação aos alimentos. É, com certeza, muito preocupante o que está acontecendo, porque é dos alimentos que depende a nossa vida: nós precisamos comer para viver, e precisamos também de comer para sermos felizes. É bastante significativo que sempre comemoremos os momentos felizes e os eventos importantes da nossa vida em torno de uma mesa, pois é aí que nos reunimos para celebrar. No entanto, para algumas – muitas – pessoas isso se está transformando em motivo de angústia, seja porque, em razão da intolerância alimentar, sofrem por não comparecer às festividades, seja porque, se forem e comerem, com toda a certeza irão passar mal. Isso foi exatamente o que aconteceu comigo.
Embora não seja médica ou bioquímica, estou convencida de que estamos sendo lentamente envenenados pelos agrotóxicos presentes nos alimentos, além da lista interminável de aditivos químicos a eles adicionados. O trigo de que é feito o nosso pão vem carregado de defensivos agrícolas; o capim ou a ração de que se alimenta a vaca que nos dá seu leite, também. Acredito que é a isso que se deve esse aumento tão expressivo de pessoas intolerantes ao glúten e à lactose.
Antes de descobrir, por meio de exames médicos, qual era o problema, eu passei muito mal. Sofria mal estar digestivo, cansaço e muita dor de cabeça, enxaquecas terríveis. Ao mesmo tempo tinha dois netos, um menino e uma menina, sofrendo com os mesmos sintomas. Vários colegas de meus netos se queixavam da mesma coisa, ou eu via que nas festinhas de aniversário não podiam comer nada (por recomendação dos pais), porque tudo ou tinha glúten, ou lactose, ou ainda glúten e lactose juntos.
Foi nesse momento que resolvi ir para a cozinha e a partir de antigas receitas de família começar a fazer experiências – trocando os ingredientes de algumas, inventando outras – para conseguir fazer coisas gostosas que não contivessem nem glúten nem lactose. Foi uma experiência muito boa, prazerosa, que me deu (e a eles) muita alegria. Recomendo a todas as pessoas que têm esse mesmo desconforto alimentar que façam a mesma coisa: e elas verão como é bom criar, ver nascer das nossas mãos um alimento gostoso, saudável, que nos devolve o prazer de comer e comemorar com a certeza de o que alimento repartido só trará felicidade.
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