Herois somos todos nós, homens e mulheres que carregamos em
nossa essência, desde o nascimento, todas as potencialidades e atributos
necessários para superar, de forma excepcional, os desafios que se apresentam
no decorrrer de nossa jornada ao longo da vida. No entanto, para que isso
aconteça, precisamos aprender a confiar em nossa intuição, em nosso verdadeiro
eu. Isso de modo algum significa ir de encontro à razão, pois como descreve Joseph Campbell
em seu livro “O Poder do Mito” :
“A jornada do heroi não é apenas um ato de coragem, mas uma vida vivida em termos de autodescoberta”.
Salienta ainda que “nada nos torna
mais racionais do que quando descobrimos dentro de nós mesmos, as reservas de
caráter necessárias para enfrentar nosso destino”. Essa idéia também é corroborada
por C. G. Jung quando diz que “a primeira
vitória do heroi é a que ele conquista sobre si mesmo”. Sobre essa ótica é que as cartas do tarô são de
grande valia, uma vez que não se pode negar os
ensinamentos que foram transmitidos por meio das lâminas, mais ou menos
secretamente ao longo dos séculos e que perduram até os dias atuais.
Ainda hoje, a real origem do tarô é uma incógnita. Há quem diga que ele
teria vindo da China, outros dizem que da Índia, ou quem sabe, do Egito. Há
aqueles que atribuem sua autoria ao próprio Thot (Hermes Trimegistos), mas há quem considere o tarô como
obra dos boêmios, ou dos alquimistas, ou dos cabalistas, ou de um Homem
- o mais sábio dos sábios. Independente de onde tenha se originado, o que
podemos dizer, é que as cartas do tarô
concentram por meio de seus símbolos, uma série de ensinamentos capazes de
despertar a atenção dos mais variados públicos, que vai desde a curiosidade das
artes advinhatórias até os estudos aprofundados das escolas de mistério.
Podemos dizer que os Arcanos Maiores nos fornecem ensinamentos
universais. Eles refletem os grandes
desafios do Heroi por meio dos ritos de passagem, desde o momento da sua
concepção, e em cada fase da vida, desde o nascimento, na infância,
adolescência, fase adulta, maturidade até o novo renascer. No entanto, podemos
também observar a influência desses arquétipos em cada uma dessas fases em
particular, pois como já dizia Hermes Trimegistos, “assim no macro como no micro”. Já os Arcanos Menores representados nas cartas
numeradas de zero a dez, assim como as figuras
representados nas cartas dos naipes de paus, copas, espadas e ouros, cartas estas, normalmente utilizadas na
cartomancia, dizem respeito às lições da
vida cotidiana e às pessoas que de alguma forma são importantes ou influenciam
a nossa jornada.
Assim como um espelho reflete a imagem
externa sem julgamentos nem imposições de bonito ou feio, alegre ou triste,
podemos dizer que as cartas do tarô são um espelho das imagens da alma. Essas
imagens costumam refletir tanto a realidade interna quanto a externa de cada
indivíduo, oferecendo sugestões ou pistas, que podem ser examinadas ou
descartadas, consideradas ou ignoradas, ou ainda, utilizadas no processo de
autoconhecimento e conforto para algumas dores do corpo, da mente e da alma.
Quanto mais consciente é um indivíduo,
maior é a sua capacidade em promover os ajustes necessários para uma vida
agradável, proveitosa, eficiente e feliz. Se não podemos mudar fatos ou eventos
presentes ou passados, podemos escolher mudar o valor e a importância que
atribuímos a cada um deles. Seja eliminando o que perturba ou adaptando-nos a
uma nova realidade. Uma vez que somos o fruto das nossas crenças, sentimentos,
pensamentos e emoções que são expressas por meio de nosso corpo físico. Pois
como diz Alexander Lowen, “não é a mente
que se zanga, como não é o corpo que agride. É o homem que expressa a si
próprio”.
E quando nos
questionamos, como é que cartas tiradas ao acaso durante uma leitura do
tarô podem refletir as lições que
precisamos aprender, é interessante lembrarmos que alguém um dia disse: “O
Acaso é o dedo de Deus!
A
continuação desta matéria ocorrerá nas edições 117 e 119.
Aos leitores… Sou uma heroína da minha jornada arquetípica do Tarô. A experiência foi tão intensa que me inspirou a seguir minha verdadeira vocação como escritora. O resultado foi o lançamento do meu livro de estreia, Foi exatamente assim, publicado pela editora Scortecci. Está à venda nas livrarias Cultura, Martins Fontes Paulista e Asabeça. Neste livro, diluí pelas minhas 39 crônicas as 22 cartas dos Arcanos Maiores, de maneira divertida e inusitada. Não estou apenas divulgando meu livro aqui, mas minha experiência de leitora autodidata do Tarô e de seus ensinamentos. Não tenho facebook, mas meu site é maricruciani.wordpress.com. Ainda estou começando a escrever, pois a escrita do meu livro consumiu todas as minhas energias, mas valeu a pena! Que bom poder ser dona de mim e reescrever meu destino – ou talvez chegar até ele?
Abraços de uma heroína, leitora e escritora. Mariangela Cruciani
email: maricruciani@gmail.com
Comentado por Mariangela Cruciani — 9 de maio de 2012 @ 19:06